Programa Sinapse da Inovação seleciona projetos vinculados ao IFSC

 

O Sinapse da Inovação tem prospectado boas ideias, investido e assessorado empresas de inovação de toda Santa Catarina desde 2008. O programa é realizado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS) em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e operado pela Fundação dos Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi). Este ano, foram 1.729 projetos inscritos e 100 selecionados, sendo que três deles foram elaborados por alunos e servidores  do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

 

A seleção acontece a partir da elaboração de um plano de negócios executivo. Com base nesse plano, um conjunto de consultores e especialistas seleciona as ideias de maior potencial de mercado, inovação e maturidade. A fase na qual os três projetos se encontram é a de registro de CNPJ da empresa e definição de um endereço e um bolsista. Finalizada a etapa burocrática até o dia 6 de junho, as empresas são incubadas pelo período de um ano e recebem R$ 60 mil da Fapesc. Ao final do processo, as start-ups apresentam um lote-modelo do produto com testes de mercado e são auditadas pela equipe do programa.

 

Com o aporte de R$ 60 mil e bolsas de extensão para cada projeto, a fundação está desembolsando R$ 10,2 milhões com as empresas incubadas. Para Antônio Rogério de Souza, coordenador do projeto e integrante da Certi, há retorno indireto para esse subsídio em forma de impostos estaduais, municipais e federais, empregabilidade, desenvolvimento regional e potencial inovativo e tecnológico, embora seja difícil mensurar. No último levantamento, em 2014, os tributos arrecadados das empresas geradas pelo Sinapse ainda ativas naquele ano já cobriam o montante investido pela fundação e por patrocinadores parceiros desde 2008.

 

Tecnologia, ciência e inovação são pilares do IFSC, mas o instituto não possui um centro de incubação. “Entendemos que o nosso papel como instituição de ensino é de preparar e apoiar os alunos nos seus empreendimentos e não de fomento direto”, explica Luiz Henrique Carlson, chefe do Departamento de Inovação Tecnológica e Assuntos Internacionais do instituto. Confira, a seguir, os três projetos do IFSC selecionados no programa.

 

Filtro de linha inteligente

 

A ideia de Farleir Luís Minozzo, analista de sistemas no IFSC, é simples: uma régua de tomadas inteligente ao qual pode ser conectada uma tomada primária, tomadas secundárias e contínuas. Utilizemos como exemplo um computador ao qual está ligado uma impressora e um roteador de internet. Quando o computador é desligado, a energia dos aparelhos secundários é suspensa, mas a tomada contínua mantém o roteador ligado, para não desativar a conexão com a internet. Além de diminuir em até 6% o consumo mensal de energia elétrica residencial ao desativar o modo stand-by, esse filtro de linha protege os aparelhos da variação de energia. Junto a uma linha de aparelhos economizadores de energia, o equipamento é um dos produtos a serem desenvolvidos pela Novo Tecnologia, empresa aprovada para incubação pelo programa Sinapse.

 

Em 2014, no final da pós-graduação em Desenvolvimento de Produtos Eletrônicos, oferecida pelo Câmpus Florianópolis do IFSC, Farleir realizou um intercâmbio para o norte da Alemanha através do Programa de Cooperação Internacional para Intercâmbio de Estudantes do IFSC (Propicie). Lá, ele pôde desenvolver o filtro de linha que projetava desde 2012. Existem estabilizadores e similares no exterior, mas o aparelho precisava de ajuste aos padrões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para operar no Brasil. O projeto foi contemplado pelo Edital 17/2014 do CNPq e, em parceria com a empresa Novo Transformadores, recebeu um protótipo.

 

Para alcançar o atual grau de maturação empresarial, o projeto já concorreu aos programas de incubação da Acate e Sinapse e foi finalista pelo Darwin Starter. A próxima etapa é garantir o registro da empresa, e, unir os aportes do CNPq e do programa Sinapse. Os primeiros produtos, que vão para testes de campo, devem ser feitos em impressora 3D. A equipe de cinco profissionais, das áreas de mecatrônica, sistemas, administração e design, pretende fechar o período de incubação com um lote-modelo funcional e vendável.

 

Aplicativo de controle nutricional para alimentação fora de casa

 

A empresa de Bento Gonzaga, mestrando em Mecatrônica pelo Câmpus Florianópolis, embarca na autonomia e interatividade possibilitada pelos aplicativos de smartphones. A Eat Smart é uma plataforma que liga o cliente ao restaurante self-service, informando os dados nutricionais precisos sobre o prato enquanto se serve no bufê com uma bandeja inteligente. Por inteligente, entenda-se: uma bandeja que tem uma placa eletrônica, leitor de código integrado com base de dados e convectividade com o celular. Assim, ao terminar de se servir, o usuário está ciente do que e de quando está de fato consumindo, e tem esse histórico registrado para que o seu nutricionista, treinador ou médico possa consultar.

 

A ideia vem ao encontro da demanda de atletas profissionais, veganos, vegetarianos, celíacos, ou quem simplesmente busca uma alimentação equilibrada e faz refeições fora de casa. A empresa coordenada por Bento está desenvolvendo o software e possui pesquisas de mercado em andamento. A equipe deve agora obter registro para angariar o apoio financeiro do Sinapse, além da construção de parceria com nutricionistas e restaurantes. Esta tem sido uma etapa decisiva, pois é preciso fazer os restaurantes encararem a proposta como um investimento. Até o final do período de incubação, as balanças e o aplicativo devem estar operando em algum restaurante de pequeno para médio porte de Florianópolis.

 

“Estes projetos abrem possibilidade de mercado e garimpam bons projetos”, diz Bento, que concorre a programas de aceleração desde 2013, adquirindo informação e expertise em empreendedorismo, aliado a uma pós-graduação na área de gestão. A Eat Smart, selecionada pelos programas Sinapse e InovAtiva Brasil, está tendo um ano positivo, e a equipe projeta estender a ideia para outros estados, como São Paulo. Bento é mestrando em Mecatrônica pelo IFSC e possui graduação em Automação Industrial pelo Senai/SC. Com a verba do Sinapse, os protótipos das bandejas começarão a ser montados nos laboratórios do Senai Florianópolis e a empresa fechará parceria com os restaurantes, para lançar o produto ainda em 2016.

 

Energia fotovoltaica para propriedades rurais

 

A energia fotovoltaica, obtida a partir de radiação solar, não é novidade no mercado brasileiro, mas ainda corresponde a apenas 0,02% da matriz energética do país, segundo a Aneel. Os estudantes Matheus Sachet, André Bollis e Lucas Frisson, do curso superior em Engenharia de Controle e Automação do Câmpus Chapecó resolveram apostar na energia limpa. Eles estão a frente da montagem de um sistema gerador de energia fotovoltaica para propriedades rurais, aliando economia na conta de luz com um sistema emergencial ligado a um estabilizador de corrente elétrica (no-break).

 

Quando a ideia começou a ser desenvolvida pelo professor Luiz Scartazzini, do curso de Engenharia de Controle e Automação, em 2012, a primeira tentativa de parceria foi com a empresa Brasil Foods S.A. (BRF), que possibilitaria acesso aos micro-produtores rurais do Oeste catarinense. A ideia deu início a um projeto de extensão no curso em 2013, momento em que os estudantes empreendedores se envolveram. Como a burocracia complicada da companhia BRF, o projeto foi levado para Nonoai, município do noroeste do Rio Grande do Sul e recebeu aporte do CNPq em 2014. Existe, então, um protótipo de 6 painéis em teste em uma propriedade rural familiar em Nonoai desde 2013, gerando 300 kw/h por mês e energia suficiente para manter 5h de apagão.

 

Os painéis captam a energia da radiação solar e são ligados a inversores de corrente contínua para alternada, abastecendo baterias ligadas ao no-break. O gerador fotovoltaico, normatizado pelas resoluções da Aneel, é ligado à rede elétrica reduzindo a tarifa de energia por um sistema de compensação. A energia gerada pela propriedade em Nonoai não cobre os 800 kw/mês de consumo, mas caso os créditos gerados superem o consumo, podem ser utilizados em até 36 meses. Em suma, ter uma estação geradora na propriedade é um investimento de 30 a 35 mil reais, mas há retorno em 25 anos, em média.

 

O foco do produto são as propriedades familiares de pequeno e médio porte. Nas regiões rurais do Oeste catarinense, a precária eletrificação monofásica torna quedas de energia frequentes, deixando produtores em prejuízo. A proposta é ter um sistema que previna faltas de energia que ocasionam mortandade de aves, impossibilitam a ordenha, causam contaminação do leite armazenado e ao mesmo tempo gera uma economia para a propriedade. Quatro a cinco horas de apagão, suspendendo a refrigeração dos criadouros de aves, leva à perda total daquele lote, assim como o leite sem refrigeração azeda em cerca de duas horas, de acordo com pesquisa do professor Scartazzini.

 

Com a verba proveniente do Sinapse, haverá uma unidade em Chapecó. Falta agora encaminhar os documentos de registro formal ao programa até o dia 6 de junho. O projeto está concorrendo também a um espaço no centro de incubação da Universidade de Chapecó. Ao longo do ano, a equipe pretende deixar a unidade de Chapecó em operação e cadastrar a empresa no programa de financiamento de micro-geradores fotovoltaicos do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A intenção é chegar em um preço de mercado competitivo e acessível ao pequeno produtor.

 

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